A preparação física até agora

Um preâmbulo deste tema: Convivo com várias pessoas acompanhadas por especialistas em preparação física, desde treinadores, a nutricionistas, massagistas, osteopatas. Mesmo os «independentes» auto-didactas não deixam de ser bastante analíticos. Fazem planos muito estruturados e são, na minha perspectiva, pouco flexíveis na calendarização dos treinos. Como se a fidelidade a um plano fosse já uma prova de resistência. E é, de certa maneira. Dentro deste contexto, um atleta amador sente-se facilmente dividido entre a vontade de conseguir o melhor rendimento possível e a de continuar a desfrutar da corrida, enquadrando-a harmoniosamente com o resto da vida.

Gosto muito a corrida mas não estou disposta a fazer dela a prioridade absoluta. Mais do que isso, preciso de sentir-me livre. Tenho muito respeito por quem segue planos à risca e vejo os resultados que têm. No entanto, o meu treino físico não é rígido e gosto de experimentar várias abordagens. Actualmente consiste em corrida, yoga e reforço muscular. Estes dois últimos faço em casa, com base na experiência que tive antes em aulas e em vídeos online. Era muito mais orientado – e seguro – se fosse ao ginásio mas não consigo organizar a agenda para isso. Ambos são fundamentais para contornar lesões, nomeadamente o problema crónico que tenho no joelho direito.

A corrida, durante a semana, é feita normalmente em Monsanto, à Hora do Esquilo (06h-07h). Por vezes começo mais cedo mas o habitual são treinos de uma hora/ cerca de 10 km, com percursos variados. Fazemos trilhos técnicos, estradões mais roladores, escadas, rampas. Correr com amigos é uma experiência recente para mim e tem muitas coisas boas mas podemos ficar reféns do ritmo dos outros. No meu caso, isso significa andar constantemente com um batimento cardíaco acima do desejável. Também gosto de correr sozinha mas aí o problema é o inverso, tendo a pastelar. Às vezes ganho coragem e faço umas séries de velocidade. Não que queira tornar-me rápida mas não posso ser tão lenta que venha uma nova era glacial e surjam mamutes em Marrocos. Sem querer chamar mamute a nenhum dos corredores mais lentos do que eu. Simpatizo muito com corredores lentos, tenho pena de não conviver com nenhum.

Ao fim-de-semana, reservo tempo para pelo menos um treino longo antes de ir o mercado, ao talho, fazer a sopa, as máquinas de lavar roupa, e deitar um olho aos trabalhos de casa dos filhos. Ou vou sozinha ou apanho a boleia de algum grupo. Procuro que estes treinos sejam a um ritmo mais lento e que passem por diferentes tipos de percurso. As distâncias têm variado entre os 20 e os 30 km, o tempo entre as 2 e as 4 horas, o desnível pouco acima dos 1000D+. Não chega. Chegaria se estivéssemos a falar de simples endurance mas estes treinos deveriam também servir para aprendizagem mais técnica e com mais desnível, coisa que acabo por treinar mais durante a semana mas em doses menores. Tentar passar todos estes objectivos pelo mesmo buraco de agulha rasa a utopia. A consolidação do treino é chave. Ainda assim, algumas coisas precisam de ser ajustadas para enfrentar o Atlas.

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2 thoughts on “A preparação física até agora

  1. Primeiro que tudo, ao clicar na definição da tua maleita crónica, houve logo uma frase que fez todo o sentido:

    ‘Mais frequente em mulheres obesas de meia-idade’ – não havia sinónimo mais evidente…

    Revejo-me em boa parte do que escreves, no meu caso acrescem 10 anos de basket ‘a sério’, num período que vai da adolescência à idade adulta, com sacrifício de treinos 4x por semana, mais jogos ao fim de semana, mais treinos de reforço muscular e tudo e um par de botas.

    Fartei-me de ter que ter um plano, quando a minha vida me pedia tempo para outras coisas. Continuei a jogar em versão light e correr, que sempre fora um complemento, ganhou espaço pela flexibilidade de horária e novos horizontes de superação.

    Acho que vou mantendo um balanço saudável entre a ambição competitiva e o esforço que dedico, sem querer tornar a corrida num ‘basket parte 2 – o runner de meia idade’ – daí fugir um bocado de planos e manter um plano mais comedido em termos de provas. Evoluindo pouco a pouco, com a gestão familiar/social e um pequeno anãozinho da floresta pelo meio, tentando sobreviver aos Esquilos mas num formato que me dá gozo.

    Respeito imenso o esforço, os resultados e as provas dadas de quem lá vai, imaginando muitas vezes os sacrifícios que isso implica, mas sempre com este princípio de tranquilidade: lá por partilharmos os mesmos caminhos não temos que ter as mesmas metas.

    E haverá melhor que ser atleta de fundo de pelotão? (Sim, há aqueles casos de quem fica em pódios finórios de ultras com segundos lugares, mas isso agora não interessa)

    Claro que não, a margem de progressão é imensa e podes sempre aproveitar dias maus dos outros e gente em taper para provas para parecer que estás em grande forma.

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    1. Ponto 1, desde que comecei a usar palmilhas adelgaçantes e tratamentos com baba de caracol que perdi 10 anos e 20 Kg, bye bye pata de ganso.
      Ponto 2, pois claro, é bonito dizer que queremos fazer a coisa em modo light. Mas e a pressão, meu amigo? Bom, se calhar sou só eu que sinto.
      Ponto 3, melhor altura para treinar com os esquilos? A seguir ao UTMB. Vêm mansos, é uma maravilha 🙂

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