Run by feel

Acabei recentemente de ler o Run by Feel, de Matt Fitzgerald. O autor desconstroi a ideia de que há formulas únicas de treino e convida-nos a repararmos nas mensagens do nosso corpo, através de feedback externo e do que chama de affective feedback, para tomarmos as rédeas da abordagem geral e diária da corrida.

Plenamente de acordo. Intuitivamente já incorporava estes princípios. A bigorna que me acertou em cheio na cabeça foi a necessidade de variar a intensidade dos treinos, visto que costumo fazer tudo em intensidade média-alta, seja em que tipo de treino.

Apesar de valer a pena ler todo o livro, reproduzo aqui os tópicos do epílogo (tradução minha) porque acho que são explícitos q.b. para compreender a ideia.

Aprender a ouvir

  • Cultivar a confiança nos treinos;
  • Confiar na intuição;
  • Tornar o treino mais prazeroso;
  • Organizar o treino de forma a que a melhoria se torne mais clara;
  • Avaliar que tipo de métodos funcionam melhor no nosso caso a partir do feedback externo e interno;
  • Estabelecer a nossa formula “óptima” de treino em termos de volume, treinos de alta intensidade e calendarização.

Dominar a prática da corrida mente-corpo

  • Incluir maior repetição e rotina nos treinos;
  • Aumentar a capacidade de sofrimento ao longo de cada período de treino;
  • Abrir a porta ao improviso;
  • Conhecer os nossos PRs e tentar batê-los;
  • Tornar eficazes os progressos nos treinos-chave.

Os detalhes do método mente-corpo

  • Encontrar a nossa melhor passada;
  • Aceitar as lesões;
  • Usar o medo e a raiva como fontes de motivação.

Nem todos os atletas estarão talvez receptivos a uma corrida mais hands-off, que nos obriga a conhecer-nos em detalhe e a aceitar os nossos limites; estou convencida, porém, que qualquer pessoa que se dedique a este desporto ao longo de mais tempo acaba por chegar a conclusões semelhantes. O nosso corpo é uma máquina maravilhosa, falível, mutante, que se regenera. Pedir muito dele, como pedimos em provas ultra, tem de passar por esta espécie de relação madura e cordial entre todas as partes que nos compõem.

 

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4 thoughts on “Run by feel

  1. Raiva e medo, fontes de inspiração. Conheço o género, mas terei que aumentar as doses de treinos em zonas com cães à solta.

    Quanto ao resto, parece-me haver aí boas dicas, ainda que nem tudo seja bem a minha cara (ou o resto do corpo, que sofre mais com este tipo de regabofe).

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