Paragem à força

Chamemos os bois pelos nomes: estou lesionada.

A dor que sinto na perna esquerda começou em meados de Maio, levei-a a passear a S. Mamede, tirou uns dias de férias depois disso e agora tem regressado sorrateiramente, sendo que cheguei ao ponto de a sentir mesmo deitada, à noite. É tempo de encarar a realidade e parar. Desde terça-feira que não corro. Tenho feito yoga, alongamentos e bicicleta mas decidi hoje parar toda a actividade que envolva o esforço das pernas até ver como isto evolui. Não sei exactamente o que tenho, se é simples contractura muscular ou se já é uma distensão. Não vou inventar. Para já, páro, faço gelo e massagens suaves com anti-inflamatório. Receio que mesmo as massagens com latas de coca-cola gelada não andassem a fazer o bem que imaginava. Daqui a uns dias reavalio a situação e logo vejo se preciso de procurar ajuda profissional.

Implicações imediatas: provavelmente não irei ao Ultra Trail da Serra da Freita. É daqui a 8 dias. Não vou cometer a parvoíce de arriscar se ainda sentir alguma dor, visto que o meu objectivo do ano é já daqui a 3 meses e meio. Vamos ver. Vejo nuvens negras sobre as montanhas do Atlas. Vejo o meu corpo musculado, riscado de arranhões, sarapintado de nódoas negras das quedas, e a dor maior é na alma, por ter de estar parada. Tento não me imaginar a perder a forma tão duramente conquistada. Tento não me imaginar na partida em Oukaïmeden, a acenar aos meus amigos enquanto eu fico a comer as tâmaras mais amargas do continente africano. Tento ter esperança que isto seja um contratempo, que será vencido com paciência e com muito respeito pelo meu organismo, mais do que tenho tido até agora. Mas não é fácil, não há como negar que estou desanimada.

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10 thoughts on “Paragem à força

  1. Tens o apoio da vizinhança, se bem que é mais difícil combinar boleias para o fisioterapeuta do que para madrugadas no mato. Mas, antes de começares armada em Atlas a segurar o peso do mundo nas pernas, vai com calma e avalia a progressão. Três meses e meio passam num instante, mas ainda é tempo para recuperar e avançar com o que já tinhas vindo a preparar.

    Que passar ao lado da Freita seja apenas um pequeno passo atrás, para depois fazer subidas de gigante lá mais para Outubro 🙂

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      1. Hmmm, acho que preciso de um bocadinho mais de tempo para avaliação do que vou experimentar para o estômago. Portanto, agradecendo a proposta, neste momento prefiro sugestões de gomas e hidratos simpáticos para testar o bicho que tenho dentro de mim 🙂

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  2. No teu caso acho que é mesmo uma questão de intensidade. Tens de conseguir convencer o teu estômago que às vezes vai andar umas horas no zumba e nada de mal vem ao mundo. Também há aquelas saquetas que revestem o estômago do meu cão quando ele tem de tomar anti-inflamatórios, queres que vá ver a marca? 😉

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    1. Depois de electrólitos, barras, géis e afins, acho que o próximo passo são gomas e sal (na Eco os abastecimentos eram apenas de água, ao passo que nos trails me tenho lambuzado em cenas com sal) – se não for em alimento, tem que ser em cápsula. Mas tem que ser tudo prévio, porque quando as náuseas começam aí já não entra quase nada. :p

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