Primeiras lições

Ando a ler vários livros de auto-ajuda e a consultar um painel de life coaches para dar a volta por cima a este contratempo. Não ando nada, que disparate, a melancolia é que me afina o sarcasmo. Os meus filhos garantem que eu pareço cada vez mais a encarnação da Raven dos Teen Titans mas já lhes expliquei que não, a Raven é a filha recém-nascida do Scott Jurek. Seja como for, o roxo não me favorece.

Bom, talvez não seja inverdade que ando chateada que nem um peru por estar parada. Mesmo assim, faço por encontrar luzes ao fundo do túnel. Pelo menos enquanto não sair do túnel da ressonância magnética com um prognóstico concreto. A ver se aprendo qualquer coisa com esta experiência, já agora.

Confiar na intuição. Lembro-me de suspeitar mesmo antes de S. Mamede que isto podia ser distensão muscular. Não me arrependo de ter ido à prova, nem pensar, mas vou levar estes alertas mais a sério.

Alongar também pode estragar. O músculo rebentou por excesso de carga mas o estrago maior foi nos alongamentos em casa. Como é que sei? Cf. ponto anterior.

Esquecer a velocidade. Quando tentei treinar velocidade com ataque de calcanhar, arranjei a pata de ganso. Quando tentei treinar velocidade com ataque de dianteira, porque a minha passada mudou entretanto, rompi o bícepe femoral. Mesmo integrando reforço muscular e alongamentos no treino. O ganho de velocidade não compensa, de todo, os tempos de recuperação destas lesões e as oportunidades perdidas. Lenta serei.

Valorizar cada treino e cada prova. Bem sei que este princípio só dura enquanto nos lembramos de como é mau estar parado, até ao momento em que voltamos a sentir-nos eufóricos, invencíveis – o que também é parte do negócio. Mas o momento em que se me quebra o coração por não ter feito o Piódão como deve ser é este: quando voltar a correr é uma miragem de contornos indefinidos.

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2 thoughts on “Primeiras lições

  1. Parece que só aprendemos por experiência própria. Tenho um post de 1 de Abril de 2015 em que culpo a velocidade (em plano) pelas lesões (https://ultramaratona.wordpress.com/2015/04/01/lesoes-pa/). Calculo que o leste, mas como era 1 de Abril, preferiste descobrir por ti própria eheh 🙂 O João LP inscreveu-se na Ehunmilak comigo, mas recusa-se a inscrever na maratona do Porto. Ele já sabe que se se meter a treinar velocidade / estrada, vai ter lesões chatas. Já uma ultra de 168km dá para treinar sem stresses desse tipo. Ele já se conhece, mas acredita, teve muitas lesões. Olha que a velocidade melhora também. Numa subida a pique em Sintra a andar ou trote muito lento, tens zero impactos e o coração vai para zonas anaeróbias. Algumas subidas de sintra que fazes em slow motion puxam pelo V02Max como séries no campo grande 🙂 Não digo que o faças agora que estás lesionada, mas quero dizer é que ficas mais rápida de qualquer forma, mesmo sem treinar velocidade em plano. O que acho – mas é só uma opinião pessoal cof cof – é que deves mesmo procurar treino mais específico do UTAT, no ritmo expectável para o UTAT ou perto, no teu ritmo. Treinos muito longos em ritmos suaves, com muito desnível e num ritmo que te faz chegar ao fim do treino a pensar “ok puf puf podia continuar” em vez de “estou esgotada”. My 2cents. Espero que não seja nada de muito grave, as melhoras 🙂

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  2. Não voltarei a ignorar os sábios conselhos do Lourenço.
    Não voltarei a ignorar os sábios conselhos do Lourenço.
    Não voltarei a ignorar os sábios conselhos do Lourenço.
    Não voltarei a ignorar os sábios conselhos do Lourenço.
    Não voltarei a ignorar os sábios conselhos do Lourenço.
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    Não voltarei a ignorar os sábios conselhos do Lourenço.
    Não voltarei a ignorar os sábios conselhos do Lourenço.

    Agora, se souberes de alguém que me cosa o músculo, nem que seja à Rambo, avisa.

    Ainda acerca das lesões (e mesmo o Run by Feel tem um capítulo muito fixe sobre isso), é certo que vamos aprendendo com a experiência mas estamos sempre sujeitos. Que atleta é que pode dar-se ao luxo de parar de cada vez que tem uma dor? Eu até sou altamente mariquinhas.

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